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Artigo Semanal

30/12/2016

 

Universo multicores: É possível ser ou não diferente em 2017?

 

Na vida existem vários tons, mas a verdadeira mudança parte do revestimento interior de cada pessoa

 

O ser humano vive em um universo multicores porque na vida existem vários tons, mas a verdadeira mudança parte do revestimento interior de cada pessoa. Finda-se mais um ano e chega o momento da autoavaliação em todos os segmentos, então muitos são levados a repensar sobre as metas lançadas em 2016, em detrimento de outros quem deixaram de sonhar e apenas vegetaram. Diante dos desafios a serem vencidos e dos objetivos a serem alcançados, considerando a peculiaridade de cada um surge a pergunta: é possível ser ou não diferente em 2017?

 

As cores possuem significados e simbologias diferentes em diversas partes do planeta semelhante as variadas personalidades, daí o bem-estar interior ser essencial para o bem comum. A exemplo da cor branca bem sugestiva na virada do ano, na cultura ocidental está associada à alegria e na oriental à tristeza. Todavia, a nível mundial há o entendimento de que a pomba é o símbolo da paz. Por outro lado, em países como o Brasil em geral representa os votos de felicitações para o ano vindouro. No entanto, toda essa magia não significa nada se o indivíduo intercontinental não estiver bem consigo mesmo.

 

Feliz de quem consegue chegar a esse momento glorioso sem crise de existência, pois sãos muitos os que camuflam a realidade ocultando suas verdadeiras impressões da vida. Geralmente as pessoas classificam como coitadas as que tem uma tendência para o erro, enquanto dizem ser desvio conduta às ações daqueles que findam surpreendendo ao desviar sua trajetória. O certo é que a sociedade vive oprimida procurando remediar os atos de seus iguais, mas deixam seus diferentes se destruírem como se também não fosse vítima dessa ingerência social.

 

Essa realidade leva a refletir sobre o que move uma pessoa a fazer ou não um determinado ato que pode ser prejudicial a si e a coletividade, então se recorre a religião e a ciência para explicar os exemplos de intolerância no planeta. Há séculos essa dualidade procura dá respostas para o comportamento humano, inclusive sobre as atrocidades que dizima a população mundial. Porém, é preciso ter o entendimento de que quem nunca teve paz dificilmente entenderá seu verdadeiro significado. Com isso, as verdadeiras respostas estão dentro de cada ator que vive essa dura realidade em seu cotidiano particular.

 

O fundador da Psicanálise, Sigmund Freud, especialista em Fisiologia Nervosa estudou a anatomia e a histologia do cérebro do homem, inclusive deixando um importante legado sobre a descoberta do inconsciente. Através de técnicas próprias procurava trazer à tona o desconhecido peculiar as faculdades mentais de seus pacientes, a fim de livrá-los de seus complexos inferiores. Destemido colecionou adversários ao propor o tratamento que acredita ser de origem psíquica e não orgânica. Nessa investida mapeava a mente humana ao criar as categorias de id (inconsciente), ego (pré ou mediador) e superego (consciente).

 

Em sua análise o id é representado pela energia psíquica do libido, o ego significa o eu responsável no contato com a realidade e o superego envolve os valores e normas sociais interiorizados. Ao se debruçar sobre a natureza sexual dos traumas infantis causadores das neuroses, posteriormente fundamentou a teoria do complexo de Édipo em que há uma atração amorosa pela mãe e uma repulsa ao pai. Essas experiências que se propunham a erradicar os problemas psíquicos da época causaram uma revolução, mas até hoje contribui para o equilíbrio da vida em sociedade entre os cidadãos.

 

Considerado um dos maiores pensadores do século XX, classificava uma mente com perfil doentia aquela pertencente a uma pessoa que não exprimia seus sentimentos, ou seja, eram reprimidos. Ao pretender curar os conflitos dentro das pessoas praticou a autoanálise, interpretação dos sonhos e o método da associação livre. Para desenvolver a teoria da personalidade precisou se aprofundar no estudo da psique, a fim de conhecer melhor os temas histeria e neurose. Em tese, os pacientes eram curados quando se libertavam das prisões psicológicas advindas do passado.

 

Não sou filósofo, mas costumo pensar sobre o comportamento da humanidade que há muito vem contribuindo para a sua própria destruição. Vez em quando fico a meditar sobre a origem dos pensamentos de grandes líderes mundiais a exemplo de Adolf Hitler, Benito Mussolini, Saddam Hussein, Osama Bin Laden e Fidel Castro. Cada um com suas motivações contribuíram para que milhares de opositores fossem mortos, enquanto reafirmavam suas convicções diante de seus correligionários. Inclusive, faz lembrar a expressão do grande pensador Blaise Pascal: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.

 

Especialistas procuram explicar o que se passa nas mentes e impulsionam as pessoas a terem comportamentos impactantes, seja para o bem ou para o mal. Diante de tantos males há protagonistas ganhadores do Nobel da Paz representados em 2014 na pessoa da paquistanesa Malala Yousafzai por lutar a favor da educação e em 1993 Nelson Mandela pelo fim pacífico do regime do apartheid. A atitude positiva parte do íntimo de cada um e deve ser praticada, pois segundo o filósofo Immanuel Kant: “a boa vontade é condição indispensável para sermos dignos de felicidade”.

 

Em que pese os avanços tecnológicos ainda há muitas perguntas sem repostas sobre essa temática, inclusive com novos atores protagonizando preocupação para a paz mundial. Nessa quinta-feira (29), o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a Organização das Nações Unidas (ONU), ao salientar que a mesma não aproveita seu potencial e perde tempo e dinheiro. A instabilidade no mundo em todos os sentidos nesse momento que urge passividade, leva-nos a lembrar de Santo Agostinho que afirmou: “a verdadeira medida do amor é não ter medida”.

 

A razão dessas observações é para que pensemos em um problema que afeta a todos nós, pois de acordo com o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública foram registradas no período de 2011 a 2015 o total de 278.839 ocorrências de mortes violentas no Brasil. Por outro lado, na Síria um país em guerra somou 256.124. Recentemente, o Promotor de Justiça, Dr. Héverton Alves de Aguiar, disse que em 4 anos de combate lá foram mortas 6.700 mulheres, enquanto aqui somente entre março de 2015 até março de 2016 foram assassinadas 3.280 pessoas do sexo feminino.

 

Essa dura realidade do mapa da violência não tem cor, idade e sexo porque vitima toda a sociedade. Além disso, há as consequências na vida de quem sobrevive aos ataques violentos e a outras formas de opressões no cotidiano que muitas vezes levam ao suicídio. Em geral, as causas são diversas, mas cada um pode contribuir para diminuir as estatísticas e minimizar o sofrimento coletivo. Portanto, no réveillon ao brindar com os entes queridos, reflita sobre a necessidade de conhecer melhor a si próprio, a fim de tornar-se uma pessoa diferente em 2017 e fazer outros retomarem o caminho do amor ao próximo.

 

 

 

 

David Rodrigues

 
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