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Artigo Semanal

16/07/2018

MDB: ‘Titãs’ se digladiam dentro do mesmo barco que está à deriva

 

A luta interna deverá diminuir a musculatura da máquina partidária contra os adversários de outras legendas

 

O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) está em rota de colisão, pois seus dois principais expoentes travam uma verdadeira luta de ‘titãs’ para sobreviverem na política rondoniense. O ex-Governador Confúcio Moura e o Senador Valdir Raupp estão se digladiando, com isso, os dirigentes e convencionais foram escalados para equilibrar o barco que está à deriva.

 

A preocupação é lógica, a luta interna deverá diminuir a musculatura da máquina partidária contra os adversários de outras legendas. Logo, o maior prejudicado seria o pré-candidato a Governador e presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia, Maurão de Carvalho. Esses três ‘gigantes’ vem cumprindo agendas diferentes, mas a convenção dará um basta nisso.

 

É notório o distanciamento desde que foi anunciado que o MDB viria com chapa sangue puro, principalmente porque começou a ser ventilado que a legenda não conseguiria eleger os três aos cargos majoritários. Essa possibilidade foi avaliada por articulistas políticos e a ameaça devidamente constatada, ou seja, ao menos um seria rifado pela população nas urnas.

 

A falta de entendimento pode ocasionar o naufrágio do grupo político, mas nem um dos ‘titãs’ deseja ser chamado de náufrago e se valem das redes sociais para a autodefesa. O problema é que a base aliada se move em terreno minado com o ‘fogo amigo’, o que por si só, pode prejudicar à disposição dos postulantes às candidaturas proporcionais.

 

O Senador Valdir Raupp nem de longe pensa em perder o mandato, principalmente para não perder o direito à imunidade parlamentar diante dos embates jurídicos que estão por vir. O ex-Governador, Confúcio Moura parece ter cansado de agir de forma poética. O tom conciliador de outrora está caminhando para agressividade, mas ambos perdem com a falta de diálogo.

 

É fato que os dois pretendentes ao Senado Federal são comprovadamente bons de votos, mas o eleitorado dispõem de alternativas de outros partidos com chances reais de ocupar uma das duas cadeiras desejadas pelo MDB. Por outro lado, há uma verdadeira preocupação no que diz respeito ao comportamento dos eleitores ressabiados com denúncias de corrupção.

 

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, o eleitorado rondoniense evoluiu de 1.025.000 em 2018 para 1.175.000 em 2016. A maior parte está compreendida entre as idades de 21 à 54 anos, enquanto há um equilíbrio em relação ao gênero masculino e feminino. Apenas em Porto Velho, no mesmo período o número de eleitor subiu de 250.000 para 330.000.  

 

Os números apresentados pelo TSE poderiam indicar uma concorrência harmônica entre os dois postulantes do MDB, mas o temor da fragmentação de votos com os adversários de outras legendas apequenam o espaço. Cogita-se indicar Confúcio Moura para fortalecer a nominata do partido à Câmara Federal, cargo já exercido por ele em três mandatos consecutivos.

 

O MDB do saudoso Deputado Ulisses Guimarães está diante de uma briga interna sem precedentes, pois há ameaças de uso de ‘dinamite’ caso o interesse de Confúcio Moura seja contrariado. O Senador Valdir Raupp tem se valido do suplente e dirigente do partido, Tomás Correia, para gerir a crise afim de evitar o confronto direto com colega de partido. 

 

A tendência do embate interno tornar-se cada vez mais público, sem dúvidas, fragiliza o projeto do partido em governar novamente o Estado de Rondônia. O deputado Maurão de Carvalho do segmento evangélico deve pedir orações aos correligionários, pois precisa contar com a ajuda divina. Caso contrário, o barco pode naufragar no fim do processo eleitoral.

 

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David Rodrigues

 
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