Em carta, Cunha rebate Temer sobre impeachment

18/04/2017   11:09

O ex-deputado Eduardo Cunha e o presidente Michel Temer (Divulgação/VEJA.com)

 

Preso, ex-deputado diz que atual presidente leu e aprovou parecer sobre pedido contra Dilma Rousseff; Temer disse que ‘não militou’ pela saída da petista

 

Por Da Redação

 

Em carta escrita do próprio punho, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba, afirma que o parecer sobre o pedido de impeachment foi submetido, antes da abertura do processo, ao presidente Michel Temer (PMDB). Cunha diz que Temer não falou a verdade, em entrevista à TV Band no último sábado, sobre o encontro ocorrido dois dias antes de ele abrir o processo de afastamento da petista.

 

Temer foi questionado sobre o papel de Cunha no impeachment e disse que ambos teriam conversado a respeito do encaminhamento da questão na Câmara. Então presidente da Casa, cabia a Eduardo Cunha decidir se qualquer um dos pedidos pela saída da então presidente Dilma Rousseff (PT) seria analisado pelos deputados – e, segundo Temer, ele estava disposto a arquivar todos os pedidos.

 

Naquele momento, o processo que levaria o ex-deputado à cassação do mandato estava no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e os votos dos três deputados do PT no colegiado eram decisivos para determinar se a ação contra ele seguiria ou não. Segundo o hoje presidente da República, Cunha estava disposto a trocar o apoio do partido de Dilma evitando, em contrapartida, que ela tivesse que enfrentar um processo de impeachment.

 

A versão de Michel Temer é desmentida na carta de Eduardo Cunha. Segundo ele, o pedido que foi aceito – protocolado pelos advogados Janaína Paschoal, Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo – teve o parecer lido e aprovado pelo então vice-presidente antes da abertura da ação. Mas Temer deu outra versão: “Se o PT tivesse votado nele naquela comissão de ética era muito provável que a senhora presidente continuasse. E quando conto isso é para contar, primeiro, que ele não fez o impedimento por minha causa. Segundo: jamais militei para derrubar a presidente, como muitas vezes se diz”.

 

Veja também

BrasilTemer refuta acordão com FHC e Lula contra a Lava Jatoquery_builder17 abr 2017 - 23h04

BrasilDefesa de Dilma usará entrevista de Temer como ‘prova’ no STFquery_builder16 abr 2017 - 17h04

BrasilEncontros com empresários eram comuns, diz Temerquery_builder15 abr 2017 - 23h04

 

O deputado cassado também afirma que o presidente se “equivocou nos detalhes” quando tratou de encontro com o delator Márcio Faria da Silva, ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industrial. Em sua colaboração, Silva diz que Michel Temer comandou a reunião – marcada por Cunha – em que foi acertada propina no valor de 40 milhões de dólares, o que o presidente nega.

 

Segundo a carta do ex-deputado, não procede a informação de que foi ele quem agendou a reunião com o executivo. Na versão de Cunha, seria Temer o responsável pela conversa com Márcio Faria, um almoço no restaurante Senzala, em São Paulo, a qual ele e o também ex-presidente da Câmara Henrique Alves (PMDB-RN) teriam comparecido como convidados. O ex-deputado, no entanto, não contestou a alegação de Temer de que a reunião não envolveu menção a valores. Procurado, o Palácio do Planalto não quis se manifestar.

 

 

 

Veja.Abril (Com Estadão Conteúdo)

 

 


 
Publicidade