Adjunto da saúde acena com possibilidade de consórcio para atender renais crônicos em Guajará-Mirim

27/10/2017   16:18

 

Unir esforços de todas as prefeituras, somando os gastos com transporte e gastos do Estado com o tratamento e com apoio da ALE pode ser a solução 

 

O deputado Dr. Neidson (PMN) realizou na manhã desta sexta-feira (27), no Plenário da Assembleia Legislativa, audiência pública para tratar de questões referentes aos pacientes renais crônicos e da implantação dos serviços de hemodiálise em Guajará-Mirim.

 

Dr. Neidson destacou no início as dificuldades dos pacientes de Guajará-Mirim e de toda a região que dependem de Porto Velho e sofrem com o transporte com longas distâncias.

 

O vice-presidente da Federação Nacional das Associações de Pacientes Renais e Transplantados do Brasil (Fenapar), Jonas Cavalcante, disse que no Brasil existem 122 mil pacientes e em Rondônia mais de mil que dependem da hemodiálise. “Não existe na medicina medicamento que reverta o problema renal. É crônico”.

 

Jonas explicou a função renal e sua importância para o organismo e os motivos que levam à dependência de tratamento, na espera de um transplante. A expectativa de vida de um renal crônico é de seis anos, devido à debilitação do paciente. Falou de outros problemas como a questão da falta de medicamentos, transporte adequado e outros.

 

Os demais debatedores ressaltaram as questões dos procedimentos, desgaste dos pacientes em longas viagens, dificuldade de medicamento aos transplantados e do transporte dentro da capital. No entanto, destacaram o bom atendimento das clínicas contratadas para o tratamento.

 

Ao final o secretário adjunto da Saúde médico Luiz Eduardo Maiorquim acatou todas as críticas e refutou com números os avanços na saúde do Estado, em especial na área nefrológica.

 

Apresentou como proposta que o Estado, em conjunto com os municípios, levante os custos de cada um para trazer pacientes de várias regiões do Vale do Mamoré e Guaporé e com este dinheiro, se invista em uma clínica interessada em levar o serviço e atender Guajará-Mirim.

 

O encaminhamento final é de realizar novas reuniões para “costurar” este acordo e verificar a viabilidade técnica e a participação de cada ente público na construção deste acordo.

 

Debatedores

 

O presidente do Conselho Municipal de Saúde de Guajará, Marcos Roberto da Silva, destacou as dificuldades dos pacientes, dificuldade para acordar duas da manhã para chegar a Porto Velho até às 9h, enfrentar o tratamento e retornar. Isso três vezes na semana. “É muito sofrimento”, disse pedindo em nome do saudoso bispo Dom Geraldo Vendier, que atendam e instalem o serviço no município.

 

João Vanderlei, vereador em Guajará, disse acreditar no empenho do governo do Estado e no trabalho de todos os envolvidos para a instalação do tratamento no município e minimizar o sofrimento de tantos pacientes.

 

A mãe de um transplantado, Iracema Sena dos Santos, contou o sofrimento pelo qual passou com sua filha e pediu atenção quanto ao medicamento que os transplantados necessitam. “O secretário de Saúde debocha dos pacientes” e pediu providências da Assembleia para solucionar, pois “ganhar salário mínimo e comprar medicamentos não dá”, concluiu.

 

José Artur Pita, marido de doente renal crônica, disse que a viagem de ônibus é chamada da viagem da morte. “Precisamos urgente desta unidade de tratamento em GM para atender nossos pacientes”.

 

Assistente Social da Clínica Nefron em Porto Velho, lamenta o que passam os pacientes, mas salientou o atendimento multidisciplinar dado a eles. A clínica faz o melhor, mas a estrutura fora para o transporte dos pacientes é muito complicada, devido à debilidade que muitos ficam após o tratamento. “Muitos pacientes vão ao tratamento de bicicleta, pois o Consórcio SIM retirou o benefício, o que é desumano”, destacou.

 

A paciente de Nova Mamoré, Ivonete Teixeira de Araújo, disse que precisam de uma técnica em enfermagem para acompanhar os pacientes dentro da van de transporte.

 

O vice-prefeito de Nova Mamoré, Claudionor Lemos (PDT) falou sobre a possibilidade de aumento no auxílio doença junto ao INSS, bastando para isso Laudo Médico e ingressar com pedido junto ao órgão.  Sobre a técnica de enfermagem disse que irá resolver.

 

Raquel Moreira, paciente renal, fez uma série de reclamações sobre o transporte público na capital, alimentação dos pacientes e em especial quanto à distribuição dos medicamentos nos postos de saúde. Elogiou o tratamento clínico.

 

O presidente do Conselho Estadual de Saúde, Raimundo Nonato Soares, disse que é preciso separar o que é responsabilidade do Estado e do Município. É preciso que o governo tome as providências e se é para a saúde, os deputados podem liberar emendas para solucionar a questão.

 

O prefeito de Guajará-Mirim, Cícero Noronha (DEM), pediu ao adjunto da Saúde que se construa junto com a estabilidade econômica do Estado, uma política pública na saúde mais adequada a população, igualitária com a da capital, sem submeter esta quantidade de vidas aos riscos de viagens constantes. “É preciso justiça para com os moradores do Vale do Guaporé e Mamoré”.

 

O secretário adjunto da Saúde, médico Luiz Eduardo Maiorquim, disse que todas as críticas são válidas e precisam ser avaliadas, mas afirmou que “nunca se evoluiu tanto na nefrologia como nestes últimos anos”. Disse que já foram realizados 60 transplantes somente no governo Confúcio Moura (PMDB) e também dezenas de outros órgãos.

 

Disse que o bom serviço das clínicas que prestam serviço de hemodiálise é uma obrigação pelos contratos firmados com todas. “Tem um dever a cumprir e não é um favor, recebem bem por isso”. A visão da secretaria de Saúde, afirmou, “é que a vida não tem preço e precisa ser valorizada”.

 

Reafirmou que depende de licitação e de leis e que medicamentos somente serão comprados dentro do que preconiza a lei, ou seja, na legalidade. Sobre a diálise em Guajará disse da dificuldade em trazer nefrologista ao Estado, relatando sua peregrinação para conseguir trazer um profissional para atender em Ariquemes.

 

Maiorquim propôs a união entre Estado, municípios e Assembleia para levantar os custos de cada um com a movimentação de pacientes para Porto Velho e realizar uma espécie de consórcio e buscar uma empresa que se interesse em realizar os procedimentos na região de Guajará e Nova Mamoré.

 

O prefeito Cícero Noronha se prontificou a liderar esta jornada e verificar os custos de cada um, pois como a cidade irá receber o Hospital Regional, já haveria estrutura adequada para receber os procedimentos.

 

 

 

 

 

 

Fonte: DECOM/ALE-RO 


 
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